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24.2.11

Estava quase a morrer



Estava quase a morrer
quando viu chegar o padre
ainda teve tempo de o mandar
ir pregar para outra freguesia
antes de morrer

Joaquim Falé
Moçambique

28.1.11

Um revoltado adormeceu



Um revoltado adormeceu
na praia
e o mar
acalmou

Joaquim Falé
Moçambique

8.1.11

Inspirou-se tanto



Inspirou-se tanto
que a tinta saltou do frasco
e fugiu

Joaquim Falé
Moçambique

2.12.10

Mas que coisa tão esquisita



Mas que coisa tão esquisita
disse a ovelha
ao ver as árvores dançarem

Joaquim Falé
Moçambique

30.11.10

Mas quanto mais melhor



Mas quanto mais melhor
filha
enterra-o
enterra-o bem fundo
no fundo
no fundo do poço

Joaquim Falé
Moçambique

18.11.10

Abri a janela



Abri a janela
e agora não há
quem me consiga calar
nesta noite de luar

Joaquim Falé
Moçambique

23.10.10

Não há situação mais fácil de descrever


Não há situação mais fácil de descrever
na noite escura
chegou o velho da sacola amarela
e matou-se

Joaquim Falé
Moçambique

17.10.10


A prima encostou-se a parede
e o primo
começou a falar
dos tempos de infância

Joaquim Falé
Moçambique

11.9.10



O encontro não teve lugar
porque a girafa não encontrou
um vestido adequado
à solenidade do momento

Joaquim Falé
Moçambique

28.8.10


Estive a olhar
a Lua
não creio
conseguir recuperar

Joaquim Falé
Moçambique

13.8.10

Fui ao fundo do mar



Fui ao fundo do mar
e voltei
mas agora não há
quem me consiga salvar
da Loucura

Joaquim Falé
Moçambique

8.7.10

Viriato comeu o rato





Viriato comeu o rato
mas que grande desagato

Joaquim Falé
Moçambique

18.6.10

De manhã cedo



De manhã cedo
acordas
para lavar a roupa
que trazes suja
no teu pensamento
esfrega esfrega esfrega

Joaquim Falé
Moçambique

10.5.10

Filhos da Miséria



Pedaços de fundo
vagabundo
buscando no lixo
um mundo perdido
fugindo de tudo
sábios esquecidos
nunca arrependidos

Vinde
ó ilustres da miséria
a nossa hora está chegando
recompensa merecida
estamos num canto
fechados
vingando o passado
somos o lixo
por este ou aquele motivo

Levantemo-nos Irmãos!
Derrotemos a Razão
vão-se desviar de nós
vão escutar bem alto a nossa voz
rosto aberto
de encontro aos mascarados
somos flores do Inferno
crescemos num deserto
açoitados pelo vento
noite e dia
enfeitiçados
pela morte desejados
somos cinzas
somos restos
despojos amordaçados
corremos mesmo parados
não fujimos quando somos olhados

Esquecidos pela esperança
vagueamos na escuridão
almas desertas
abraços de solidão
entre as pedras adormecemos
companheiros na ilusão
somos pássaros da noite
artistas com vida de cão

Não temos capas de vergonha
não disfarçamos o medo
sentimos o desespero
não trocamos de lugar
não nos podem dominar
já mortos nos hão-de lembrar
enquanto vivos
vão-nos evitar

Está-nos reservado o fel
sabemos porquê
pagamos o preço da liberdade
fugindo do tempo
não temos idade
amantes sedentos
conquistamos cidades

Brincamos como crianças
num jardim de terceira idade
fingimos ser apenas uma flor no paraíso
vingamo-nos da memória
bolsas vazias perdidas no Infinito

Vestimo-nos no escuro
de amor e desespero
saimos noite adentro
buscando alimento

Joaquim Falé
Moçambique